Nos 69 anos do LP, relembre como foram os primeiros anos do formato que revolucionou o consumo de música


O surgimento do vinil foi precedido por mais de meio século de história da gravação. Nesse tempo todo, a duração de um disco ficou restrita a apenas três minutos, e definiu a música popular em todas as suas variantes. Durante o período, surgiram também o primeiro álbum e a arte de sua embalagem, que de início era uma coleção de quatro ou cinco singles gravados dos dois lados, unidos como um álbum de fotografias.

As vendas de discos dispararam na década de 1940, quando chegaram ao mercado vários álbuns de líderes de big bands, como Benny Goodman e Woody Herman, astros do jazz, como Louis Armstrong, e cantores da moda, como Bing Crosby e Frank Sinatra. Também eram populares álbuns temáticos de estilos diversos, como boogie-woogie e música latina, assim como coleções com canções de musicais da Broadway. Os mais requisitados eram os de obras de música clássica.

Com o advento do long-playing record (o LP) de microssulco, em 1948, muitas coleções de álbuns de 78 RPM foram simplesmente relançadas completas em LP. Um disco de 10 polegadas típico acomodava o equivalente a quatro ou cinco singles, sempre ocupando os dois lados. E as artes de capa pioneiras dos álbuns de 78 rotações, de artistas como Alex Steinweiss, Jim Flora e Bob Jones, iriam lançar as bases para as inovações de design que acompanharam a revolução do vinil.

Quando o mercado se restringia ao formato 78 RPM, os fãs de música clássica que quisessem obras completas tinham que lidar com múltiplos discos. Projetadas para audições em salas de concerto ou em transmissões radiofônicas, as peças duravam mais tempo do que um 78 rotações era capaz de conter. Nada mais natural, portanto, que a revolução desencadeada pelo long-play tivesse de início impacto maior no gênero clássico.

Por isso, a principal ambição do presidente da Columbia, Edward Wallerstein, era dispor de um disco que pudesse conter pelo menos 17 minutos de cada lado, o que permitiria que 90% de todas as peças de música clássica coubessem nos dois lados de um disco.


O desenvolvimento do LP teve diversas etapas e obstáculos. Se puxarmos na memória nossas aulas de história, lembraremos da depressão econômica na década de 1930 e a Segunda Grande Guerra até metade da década de 1940. Além dos problemas econômicos, havia também dificuldades técnicas ainda não vencidas, como os toca-discos muito pesados, sulcos largos demais e material para discos excessivamente macio. Estas questões foram resolvidas em parte em 1945 por uma equipe da Columbia, chefiada pelo engenheiro Peter Goldmark.

No ano de 1947 o grupo conseguiu atingir o objetivo de Wallerstein e criou um LP de 33/¹/³ RPM com 22 minutos e meio de cada lado, capaz de abrigar 224 a 300 microssulcos por polegada, comparados com os cerca de 90 microssulcos de um 78 rpm.

A Columbia apresentou sua inovação em uma coletiva de imprensa no hotel Waldforf-Astoria, em Nova York, no dia 21 de junho de 1948. Diante de um grupo de jornalistas, os diretores da empresa fizeram uma demonstração espetacular: colocaram de um lado da exposição uma pilha de cerca de 2,5 metros de discos 78 RPM, e no outro uma pilha de 101 long-plays que chegava a apenas 38 centímetros. Foi informado aos presentes que as duas pilhas continham a mesma quantidade de música. Em seguida, Wallerstein tocou um 78 rotações, que terminou de modo abrupto em quatro minutos. O executivo então colocou para tocar um LP contendo a mesma peça – dessa vez inteira em apenas um dos lados do disco, com duração de mais de 22 minutos. Os jornalistas ficaram impressionados, e o disco long-play iniciava sua trajetória.

Os primeiros lançamentos surgiram imediatamente após essa apresentação, em um total de 132 álbuns: 84 LPs de música clássica em discos de doze polegadas, 26 de música clássica em dez polegadas, 18 de música popular em dez polegadas e quatro para crianças em dez polegadas.

Em termos de catálogo, o primeiro LP oficial, lançado em 28 de junho de 1948, com o número ML 4001, foi o Concerto para Violino em Mi Menor de Mendelssohn interpretado por Nathan Milstein, com Bruno Walter regendo a Filarmônica de Nova York.

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