Anvisa aprova primeiro teste de farmácia para detectar HIV


O primeiro teste de HIV para venda em farmácia foi aprovado pela Anvisa. Assim como os testes de glicose para diabéticos, o produto funciona com a coleta de gotas de sangue. A Orangelife, responsável pela fabricação, estima que ele deva entrar no mercado em junho, a um preço entre 40 e 60 reais, com o nome de Action.

No entanto, o teste só consegue detectar a presença do vírus no organismo 30 dias depois da relação de risco. O resultado, que aparece em forma de linhas, leva de 15 a 20 minutos para ficar pronto. Segundo a fabricante, o teste demonstrou sensibilidade e efetividade de 99,9%. 

A Anvisa informa que, em caso negativo, a pessoa deve refazer o teste mais duas vezes, a cada 30 dias, até completar 120 dias após a primeira possível exposição. Ainda assim, consultar um médico ou usar a PEP (um medicamento distribuído pelo SUS que ajuda a barrar a proliferação do vírus em até 72 horas) continuam sendo opções eficientes.

Em caso positivo, buscar informação é o mais importante. Além de procurar o tratamento que é oferecido de graça pelo SUS, busque por canais de jovens que dão uma perspectiva realista da convivência com o vírus hoje, como Projeto Boa Sorte, HDiário, Doutor Maravilha, Super Indetectável e Prosa Positiva.

O diagnóstico rápido e discreto pode ajudar a aumentar o número de pacientes em tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, 715 mil pessoas sabem que vivem com HIV no Brasil, 372 mil delas não se tratam. O governo estima ainda que cerca de 112 mil pessoas não sabem que estão infectadas.

Vale lembrar que HIV e AIDS são coisas diferentes: um é o vírus que causa a doença, o outro é a doença em si. Pesquisa recenete da Universidade de Bristol, mostrou que jovens com HIV que fazem o tratamento adequado têm a expectativa de vida equivalente a de pessoas que não vivem com o vírus. Ao ignorar sua sorologia e não fazer testes regularmente, as pessoas podem contribuir para o avanço da doença. 

A falta de informação, o preconceito e a antiga ideia de que a AIDS é uma doença "de gays" faz com que cada vez mais pessoas sejam infectadas e não busquem o tratamento adequado. Segundo a Unaids, o aumento da doença no Brasil, entre 2010 e 2015, foi de 130 mil, com 15 mil mortes por ano.

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