A história surreal do “lendário” disco vendido por 55 mil reais no Discogs


Discogs é uma plataforma que funciona tanto como um banco de dados de todos as gravações musicais já feitas ao redor do mundo como também um “mercado livre” de discos entre seus usuários.

Através dele, pessoas podem adquirir discos raros dos mais variados artistas — e por diferentes valores. Acontece que, em Janeiro, um álbum em especial quebrou o recorde de disco mais caro já vendido no site — um disco chamado 301 Jackson St., que foi vendido pelo incrível valor de 55 mil reais.

O álbum era peculiar: foi gravado por um guitarrista da Florida chamado Billy Yeager, cujo nome não existe nem na Wikipedia e não é popular nem mesmo entre os maiores colecionadores de discos. Também não existem muitos traços online do cara — somente duas fitas VHS no YouTube com imagens raras de Yeager tocando guitarra.

No Discogs, outras prensagens “raríssimas” de Yeager estão disponíveis por valores que chegam até 75 mil reais (!), e todas elas estão sendo vendidas por uma suposta gravadora chamada Surf Jazz Records, que aparentemente existe somente para vender material do músico.

Para investigar melhor essa história, o jornalista Andy Cush, da Spin, resolveu ir atrás e pesquisar até os mínimos detalhes para descobrir quem exatamente era esse músico. O que eles encontraram foi uma mina de ouro: não somente foi descoberto que a transação no Discogs foi fraudulenta, como também notaram que o músico aparentemente já tentou dar vários golpes para se vender como um lendário artista.

Um deles aconteceu em 2011, quando um piano misteriosamente apareceu em Biscayne Bay, na Florida, e Yeager e sua esposa alegaram que foram os responsáveis pelo ato — sendo desmentidos quando o verdadeiro artista responsável pela obra se manifestou.

Mas isso não é nem o pior de tudo: nos anos 90, Billy clamou ser um filho perdido de Jimi Hendrix e se pintou com tinta escura, tendo gravado uma série de fitas fingindo ser o famoso guitarrista para tentar convencer as pessoas de que eram gravações herdadas de seu pai após a sua morte. Embora um jornal na época tenha dito que a tentativa dele tenha parecido mais como uma “Diana Ross Drag Queen”, vários veículos de mídia cobriram a história achando que fosse verdade.

Essas são apenas algumas das histórias mais malucas relacionadas ao artista. Buscando ir mais fundo nessa lenda, o jornalista tentou contatar o próprio guitarrista. Porém, para conseguir isso, ele precisava pagar uma taxa para assistir a um documentário feito sobre a vida do músico — um filme certamente excêntrico, que pintava Yeager como uma espécie de “gênio recluso” que teoricamente seria uma lenda urbana entre músicos famosíssimos, como Prince, Rod Stewart, Hornsby, entre outros.

O curta dizia que Billy já havia descoberto uma frequência de ondas sonoras nunca antes encontrada, que teria composto músicas que seriam capazes de curar pessoas e que já havia “cruzado rios com crocodilos para tocar para macacos selvagens na floresta”.

Após assistir ao documentário, Cush entrou em contato com o agente do guitarrista mas, infelizmente, nunca conseguiu conversar com o próprio músico — apesar de existirem certas dúvidas se o suposto “agente” não fosse o próprio Billy.

A história é surreal, e olha que nós nem chegamos a listar todas as coisas malucas envolvidas na mitologia do cara. Para entender exatamente como tudo se desenvolveu, você pode ler o ótimo artigo na íntegra através do site da Spin.

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