Em breve o laser mais poderoso do mundo


Apollon, um laser para pesquisa científica que está sendo instalado nos arredores de Paris, tem a ambição de ser o mais poderoso do mundo e "ampliar os limites da física fundamental".

O novo laser, apresentado nesta terça-feira no polo científico de Paris-Saclay, deve emitir uma potência de 5 petawatts, ou 1/35 da potência solar recebida pela Terra.

Isto é, cinco vezes mais do que os melhores lasers do mercado, de acordo com o Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), que realiza o projeto em parceria com o Comissariado francês para Energia Atômica (CEA). Dentro de um tempo, ele deve atingir a potência de 10 PW (10 milhões de bilhões de watts ).

"Esperamos que o Apollon nos permita fazer avanços em matéria de física fundamental e estudar os ambientes extremos, como as estrelas", explicou à AFP François Amiranoff, responsável pelo projeto. "Condições extremas (temperatura altíssima, pressão muito elevada) que ainda não conseguimos obter em laboratório".

Enterrado a 6,25 metros abaixo do solo, Apollon está dividido em quatro grandes salas, em 4.000 m2. A sala de laser sozinha mede 750 m2.

Atualmente, uma parte do laser já está em funcionamento. "Toda a cadeira estará pronta em meados de 2016 e nós poderemos começar as experiências com potência moderada no final de 2016. Até chegarmos aos 5 petawatts", explicou o cientista. As primeiras experiências abertas aos pesquisadores externos estão previstas para 2018.

Este "carro-chefe tecnológico (...) confirma o ótimo lugar da França na corrida planetária pelos lasers gigantes", ressaltou o CNRS.

Neste mês de setembro, um outro laser científico civil, PETAL, com potência superior a um trilhão de watts, foi inaugurado na região francesa da Gironde.

Depois de passar através de Apollon, a iluminação do feixe de laser fica suficientemente intensa para remover elétrons e dar-lhes velocidades quase iguais à velocidade da luz. "No final do processo, toda a energia estará concentrada em uma espécie de pequeno cubo que fica a apenas alguns milésimos de milímetro de costa", disse François Amiranoff.

Os pesquisadores esperam que, no futuro, múltiplas aplicações, nomeadamente em matéria de tratamento de resíduos nucleares (reduzindo seu comprimento de radioatividade), para geração de imagens médicas ou tratamento de tumores.

Esperando que estas aplicações sejam possíveis, é na física que o laser vai inicialmente ser testado.

Para estudar, em particular, de qual forma os pulsos de luz às vezes extremamente curtos e muito potentes conseguem excitar a matéria e assim permitir explorar novas partes da ciência.

Por exemplo, a física relativista, o funcionamento da matéria quando as partículas se deslocam numa velocidade perto da luz.

Quando a energia do laser está voltada para um alvo, ela é tal que podemos reproduzir certos mecanismos ligados a eventos cósmicos violentos como as supernovas, explosões que marcam a morte de uma estrela. O que poderia ajudar a explicar a formação do sistema solar.

"Podemos produzir jatos de matéria. O que nos interessa é ver como eles evoluem caso se propaguem em gases que simulam um pouco o que ocorre no universo ou após uma colisão", explicou o funcionário pelo projeto.

Apollon também vai abrir as possibilidades no campo das propriedades físicas do vazio. "O vazio não é nunca vazio", explicou François Amiranoff. "Há permanentemente partículas chamadas virtuais". "Elas não são reais no senso comum do termo, já que elas se criam e desaparecem em tempos muito fracos, mas estão sempre lá".

Um laser poderoso com o qual possamos focalizar sobre zonas minúsculas para fornecer um campo elétrico suficientemente forte para separar as partículas virtuais e forçá-las a se transformar em partículas reais. Será então possível estudar o que forma o vazio.

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