Um mistério militar para uso na rotina


Na década de 50, durante a Guerra da Coréia, os pilotos americanos derrubaram os Coreanos (que voavam com MIG’s russos) em uma massacrante proporção de 10 para 1. Ninguém entendeu como isso aconteceu porque os MIG’s eram superiores aos jatos americanos em vários aspectos como velocidade final, velocidade de ascensão e tiros mais precisos. Mesmo que os pilotos americanos fossem mais hábeis, a diferença não deveria ser assim tão desproporcional.

Anos depois, na década de 70, o Coronel John Boyd, da Força Aérea Americana, resolveu investigar essa questão que intrigava os militares há anos e descobriu 2 vantagens críticas nos jatos americanos:

01. Maior visibilidade (por causa do canopy tipo “bolha”, o vidro no cockpit do piloto)

02. Sistema hidráulico mais avançado, resultando em menor tempo entre comando e resposta.


O sistema hidráulico era melhor e os aviões americanos tinham uma resposta de comando mais rápida, mas não era ASSIIIIM uma diferença TÃÃÃO grande quando comparada com o sistema dos MIG’s. Na verdade os F-86 respondiam os comandos apenas uma fração de segundo mais rápidos. Só que os pilotos americanos acabaram aprendendo instintivamente uma técnica de “acumulo” desses tempinhos de resposta mais rápido, repetindo várias manobras até que essa pequena diferença fosse aumentado cada vez mais até chegar ao ponto de uma vantagem real, momento em que conseguiam colocar o inimigo no alvo com tempo suficiente para disparar um tiro certeiro.

Quando eu lí isso, lembrei que no tênis existe algo parecido: os jogadores ficam “empurrando” o adversário em um canto da quadra, angulando as bolas cada vez mais até que tenham a certeza que uma bola no canto oposto seja indefensável, um winner. O Guga dizia que o ideal era tirar o adversário do enquadramento da TV. E para fazer isso é preciso várias trocas, para ir angulando cada vez mais.


Ou, aquele tombo de bicicleta clássico: você dá uma desviadinha de alguma coisa, a bike começa a fazer um monte de curvinhas que vão aumentando de tamanho, zipt, ziiipt, ziiiiiiipt até que catapumba, é chão.

Coisinhas que vão se somando até virarem coisonas. Pequenas e desprezíveis vantagens que, acumuladas, viram uma que dá para levar a sério.

O tal Coronel Boyd, que estudou o fenômeno, conseguiu até avançar nas observações e concluiu que EM QUALQUER batalha, seja ela no ar, no chão ou no mar, segue a mesma sequencia: primeiro o sujeito OBSERVA a situação, depois ele se ORIENTA dentro desse cenário, depois ele DECIDE o que fazer e finalmente AGE.

São 4 passos que ele chamou de “LOOP OODA” (Observe-Orient-Decide-Act), porque um americano que se preze não abre mão de uma sigla. E funciona também em português. Essa estratégia OODA acabou indo parar no meio corporativo como tantas outras coisas importadas dos militares, mas o que vale mesmo o post é esse insight das coisinhas quase que imperceptíveis que vão se acumulando até virarem uma coisona de verdade. Pode ser para o lado ruim também: pequenas bobagens diárias que viram uma desgraça completa como fumar, por exemplo. Ou uma cárie. Dor nas costas. Cartão de crédito e juros compostos. Tudo isso vem de pequenos e repetitivos maus-hábitos acumulados.


Então a dica é pensar aí no que você tem “acumulado” em doses homeopáticas no seu dia-a-dia e no que isso pode se transformar. Para o bem ou para o mal. Se quiser, leia também sobre a teoria do caos, aquele papo todo da borboleta que provoca um furacão e tal, que é da mesma família. E não esqueça de SEMPRE SEMPRE SEMPRE pensar as coisas em PG (progressão geométrica) que é a regra do planeta cada vez mais.

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